Transtorno de Compulsão Alimentar no Pré-Operatório da Cirurgia Bariátrica

prof

TRANSTORNO DE COMPULSÃO ALIMENTAR NO PRÉ-OPERATÓRIO DA CIRURGIA BARIATRICA

Esta é a segunda parte do texto baseado no artigo Preoperative Binge Eating and Weight Loss After Bariatric Surgery: A Systematic Review and Meta-analysis , publicado em 2020 na revista Obesity Surgery


    A prevalência de TCA em candidatos a cirurgia bariátrica variou nos estudos entre 9,5% a 40,6% dos pacientes. Entretanto, os estudos usaram diferentes definições, escalas e forma de avaliar, não sendo uma métrica uniforme nos estudos.

RESULTADOS

    Na pesquisa desenvolvida pela Dra. Nathalia Kopps, foram identificados inicialmente 4659 estudos, mas somente 19 estudos, compreendendo 3223 participantes (80,25% mulheres; idade média de 41 anos), preencheram os critérios de inclusão para meta-análise.

    Destes, 2.007 foram submetidos ao bypass gástrico, 300 à gastrectomia com manga, 279 à faixa gástrica ajustável e 75 à colocação de balão intragástrico, sendo os intervalos de tempo de acompanhamento variando de 6 a 70 meses.

    Nesta pesquisa sistemática e meta-analítica, pacientes de diferentes países submetidos à cirurgia bariátrica, as taxas de TCA pré-operatórias e de perda de peso após a cirurgia bariátrica foram inconsistentes entre os estudos, independentemente do tempo de acompanhamento e dos critérios diagnósticos de TCA.

    Além de diferentes critérios diagnósticos e instrumentos para avaliar a compulsão, muitos termos têm sido usados para descrever o comportamento alimentar problemático, tais como "compulsão alimentar", "hyperphagia", "desejo por comida", "mordiscar", "colher", "pastar" e "petiscar frequentemente", o que pode informar erroneamente a presença de TCA. Às vezes o TCA é confundido com o pastoreio, presente em 67,77% dos participantes com TCA, um comportamento "caracterizado pela alimentação repetitiva (mais de duas vezes) de pequenas/modestas quantidades de alimentos de forma não planejada, com o que caracterizamos como subtipos compulsivos e não compulsivos". Outra fonte de incoerência poderia ser o tipo de cirurgia relatada. Alguns autores disseram que procedimentos menos absorventes seriam mais apropriados para pacientes com "perda de controle alimentar", mas isto não pode ser sustentado pelas evidências atuais. Outra linha de investigação defende que a perda de peso depende mais da aderência a mudanças comportamentais do que apenas da técnica cirúrgica.

    Sem dúvida, a mudança física imposta em pacientes bariátricos influencia sua capacidade de consumir grandes quantidades de alimentos, bem como que tipos de alimentos podem ser consumidos, especialmente no curto prazo após a cirurgia, quando a perda de peso está em seu maior impacto.

    Além disso, não foi possível descrever a prevalência de compulsão alimentar no pós-operatório, nem realizar análises de subgrupos de acordo com as características dos pacientes, conforme planejado no protocolo do estudo, devido à falta de dados. Outros resultados como taxas de re-hospitalização, uso de substâncias, qualidade de vida ou comportamentos sociais poderiam diferir entre aqueles com ou sem TCA, e merecem ser investigados.

CONCLUSÕES

    Em conclusão, a presença da TCA antes da cirurgia bariátrica parece ter pouca ou nenhuma influência na perda de peso após a cirurgia. No entanto, muitas perguntas permanecem sem resposta no que diz respeito aos resultados a longo prazo. A heterogeneidade do estudo foi responsável pela variabilidade dos resultados de diferentes avaliações, destacando a importância de os investigadores utilizarem as mesmas medidas de avaliação para garantir a precisão e a comparabilidade dos resultados em estudos futuros.


Referência bibliográfica: Kops, N. L., Vivan, M. A., Fülber, E. R., Fleuri, M., Fagundes, J., & Friedman, R. (2020). Preoperative Binge Eating and Weight Loss After Bariatric Surgery: A Systematic Review and Meta-analysis. Obesity Surgery, 1-10.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

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